Do começo? Do começo.
Ou "Por que comecei uma newsletter"
A resposta pro título acima é um tanto torta e o estilo confessional de escrita me soa alienígena, então me perdoem se estiver dando voltas.
Uma coisa que eu sempre admirei muito no texto é o quanto a gente é capaz de mudar formatos para acabar lendo sobre as mesmas questões. Todo mundo sempre fala do vídeo porque é o item de consumo do momento, mas convenhamos: quem poderia imaginar que as newsletters um dia teriam uma nova onda no meio digital? Ainda mais depois dos blogs, dos sites e até das redes sociais.
Como muita gente (jovem, no caso), meu primeiro contato com esse estilo se deu justamente nessa onda de agora, com o Substack bombando do absoluto nada em meio à pandemia e levando muita gente a voltar a usar o e-mail para descobrir essas leituras despreocupadas e às vezes bem profundas sobre temas específicos. Começou timidamente com a Interfaces e a Marge M, evoluiu com a Tá Todo Mundo Tentando (e a Pauliceia depois), aí vieram as gringas What I’m Hearing e Employee Picks, as de amigos talentosos como a Além do Filme e a Nem Sempre Tem na Netflix, as bem humoradas como a Garbage Day e a Refrescos… em menos de um ano estava assinando umas dez ou doze publicações do tipo sobre os mais variados assuntos - e pior, quase ficando em dia com todas semanalmente.
É meio óbvio que a partir daí um jornalista se veja tentado a brincar com o formato, mas eu sempre esbarrava na questão do tempo, até porque o trabalho era ritmado o suficiente para me desestimular a tocar projetos paralelos - até porque em tese eu já mantinha um projeto paralelo, o Cinemático. Seria uma loucura irresponsável, ainda mais em tempos pandêmicos e tão caóticos.
E aí veio a notícia da demissão, e o que não faltava era tempo.
Confesso que no momento vivo uma situação de incerteza com tudo. Depois de cinco anos bem estacionado no mercado e em constante evolução do trabalho e demandas, é esquisito não saber o que me reserva o dia de amanhã ou sequer se terei alguma chance de continuar atuando no meio. Some isso com um ideal meio burro de teimar a todo custo trabalhar com o jornalismo cultural (e de cinema) e pronto, a receita do desastre está mais ou menos feita.
Como seguir em frente? Bom, se mantendo ativo. Mas como? Nessa hora nada é mais oportuno do que o desejo de fundo de cabeça de querer brincar com uma newsletter, mas também de querer arriscar. Depois de cinco anos dedicados à cobertura in loco do circuito - e apesar da permanência da vocação à área - eu hoje tendo a querer me divertir um pouco com outros campos do cinema, seja nos filmes velhos, nas pérolas esquecidas pelo mainstream e até aquele ou outro lançamento grande que parece existir só numa narrativa e merece ganhar um segundo caminho.
Ou seja, há um desejo meu de se aventurar pelo cinema. Poético, eu sei, mas um ótimo nome de newsletter.
(Ok, desculpa, exagerei na cafonice)
Enfim, acho que vale responder algumas várias perguntas, então para isso acho válido usar de um…
FAQ do AnC
Como isso vai funcionar?
A ideia é que o Aventuras no Cinema saia pelo menos de quinze em quinze dias, com uma edição dedicada ao noticiário e outra com o artigo do mês - cujo tema vou buscar sempre avisar com antecedência, pra quem tiver interesse em ir atrás dos temas. Meu problema nessa hora é querer dedicar mais do que o necessário, então ora ou outra pode sair uma edição extra comentando algo mais urgente ou com uma crítica de um lançamento que acho válido a cobertura.
Além disso, no fim de cada edição mantenho um diário rápido de atividades minhas em outros veículos, sejam freelas ou o que eu e o Merigo andamos cozinhando no Cinemático. A horrível arte de se vender, é um problema necessário.
São só filmes velhos os temas dos artigos?
Sim, mas nada impede que eu pegue algo recente. A meta é sair do que é visto como tradicional na cobertura de audiovisual hoje, tanto em tema quanto forma, mas sem deixar de fechar esse projeto entre quatro paredes muito rígidas de conteúdo. Em outras palavras, dá pra ir de Renoir a Batman sem passar estresse.
Os filmes tratados na newsletter estão no streaming ou nos cinemas?
Não necessariamente, mas quando a obra estiver disponível em alguma plataforma, mídia física ou cinema é óbvio que deixarei avisado. O propósito é de resgate principalmente, independente da chave em que isso ocorra - e daí talvez venha o nome mais ou menos cafona (e fofo, vai) dessa publicação.
Qual é a das edições focadas em noticiário?
Admito, não tenho um grande escopo formado para além da ambição. Depois de um tempinho trabalhando na área, não queria deixar de acompanhar o ritmo desenfreado da indústria e suas loucas histórias, e percebi pelo meu Twitter que não é todo mundo que consegue acompanhar esse samba maluco, ainda mais numa era de streamings e distribuições híbridas.
Essa newsletter vai custar algo?
Não por enquanto. Até tenho a ambição de eventualmente colocar algum valor simbólico pelo acesso aos artigos (até porque a ideia é se jogar na pesquisa e escrita com eles), mas no presente momento nem vejo motivo para isso dado que… eu não sei onde isso pode parar! Um passo de cada vez, como sempre digo.
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Massa né? Então mais do que nunca, fica o convite. Prometo pelo menos risadas com esse rolê.
Na próxima edição…
…ou mais especificamente, no próximo mês. Março é mês de Oscar e é apenas inevitável que eu entre em clima de euforia nessas últimas semanas antes da cerimônia, então é meio óbvio que esses primeiros dias de trabalho serão dedicados à premiação - prometo que ouso mais nas escolhas depois disso.
A primeira edição do Aventuras no Cinema é de notícias e sai na sexta-feira da próxima semana, 4 de março - logo depois do Carnaval. O tema maior é a cerimônia e aquele parâmetro final antes dos prêmios dos sindicatos começarem, o que significa uma medição ampla das forças envolvidas na votação e nos preparativos do evento. Além disso, um compilado de movimentações do mercado e como fica o calendário de lançamentos nos cinemas e nos streamings. Pouca coisa, eu sei.
Já no dia 18 de março, daqui umas 3 semanas, vou aproveitar as movimentações do Oscar pra dar uma afundada na sua história. Aproveitando que a Academia está mais perto do que nunca de consagrar um faroeste como melhor filme da noite, pela primeira vez desde Os Imperdoáveis em 1992, volto aos primórdios da estatueta e resgato um (ou dois) filmes do gênero que ocupam certa importância no histórico da premiação.
Fora isso, quero ver se faço algo sobre os curtas indicados nesses próximos dias, então não se surpreendam se sair uma edição extra já de primeira.
Até lá.



